quarta-feira, 1 de julho de 2009

ortopedia infantil

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PÉ CHATO
ComA abordagem médica da criança com pé chato tem mudado nos últimos anos. Antigamente os ortopedistas consideravam sempre o pé chato como um "defeito" na formação dos pés e submetiam nossas crianças ao uso de botas ortopédicas e palmilhas, que nem sempre eram do agrado delas, e algumas vezes até desnecessárias.ComAtualmente, pelo fato de constatarmos que mais de 90% das crianças abaixo dos três anos de idade ainda não têm a formação completa da "curva" dos pés, consideramos o pé chato como uma fase normal do desenvolvimento dos mesmos, nas crianças abaixo desta idade, que na linguagem médica chamamos de PÉ PLANO POSTURAL. ComO pé plano postural ocorre devido à imaturidade e elasticidade excessiva dos ligamentos da planta do pé, que ainda não são fortes o suficiente para manter o arco plantar ("curva" do pé) quando a criança sustenta seu próprio peso. No entanto, entre 3 e 4 anos de idade naturalmente esses ligamentos vão se fortalecendo, o arco plantar fica mais evidente e o pé vai gradualmente deixando de ser plano. Nesta idade é muito importante uma consulta ao Ortopedista Pediátrico no intuito de avaliar qualquer alteração neste processo. ComAlgumas crianças porém, mesmo após a idade acima descrita, permanecem com os pés planos e provavelmente necessitarão de tratamento. Através do uso do podoscópio (fig.1), que por meio de um espelho conseguimos visualizar a planta dos pés da criança enquanto ela está de pé (fig.2), poderemos avaliar a gravidade de cada caso e decidir sobre a necessidade ou não de tratamento.
O tratamento, que está indicado principalmente para os graus III e IV, consiste no uso de tênis ortopédico com palmilhas feitas sob medida e que têm elevações que estimularão o desenvolvimento da "curva" do pé. Com o uso da palmilha, os pés são forçados a ficar em boa posição dentro do tênis, fazendo com que os referidos ligamentos da planta do pé se adaptem e amadureçam nesta nova posição. ComO tempo de duração do tratamento é muito variável e pode chegar até dois ou três anos. Neste período os tênis serão trocados, para acomodar o crescimento dos pés da criança e as elevações da palmilha ajustadas, para ao final do tratamento observarmos pés com apoio normal ao solo. Não devemos esquecer que a herança genética da criança tem influência sobre o tratamento, isto é, se há história familiar de pés planos, é possível que não haja correção total dos pés mesmo com tratamento adequado (5% dos casos). Serão os adolescentes com pé plano . ComCerca de 65% destes adolescentes com pé chato serão assintomáticos, isto é, não apresentam dor nem qualquer alteração na forma de caminhar, e praticam esportes normalmente. Porém os demais podem apresentar queixas de dor, deformação excessiva dos sapatos ou sensação de cansaço nas pernas, principalmente aos esforços. É bom salientar que os sintomas e problemas advindos do pé plano não fogem muito do descrito acima, não causam problemas na coluna, nem nos quadris; apenas nos pés.ComO tratamento cirúrgico para correção do pé plano, que consiste no reposicionamento dos ossos do pé através da modificação do apoio do calcanhar (osteotomia de calcâneo), está indicado apenas para os adolescentes que apresentem pés planos dolorosos.ComPortanto, embora a filosofia básica de tratamento não tenha mudado nesses anos, nosso grande avanço foi no sentido de selecionar melhor as crianças com pés planos posturais mais graves, que realmente se beneficiarão do tratamento ortopédico, separando-as dos casos mais leves, os quais a natureza certamente dará conta de corrigir.

(vejam as figuras no site)

DORES DO CRESCIMENTO
Crescer dói ?
Embora muito difícil provar cientificamente, estou convencido, e outros ortopedistas também habituados a atender crianças também estão, que as dores do crescimento existem e não são raras as crianças que sofrem com estas dores.
Como são e porque ocorrem?
asdO local, freqüência e intensidade das dores são variáveis, porém em geral estão localizadas nas pernas, do joelho ao tornozelo, ocorrem mais à noite, as vezes ocorrem em apenas uma das pernas, outras vezes as duas pernas são acometidas. Nunca são acompanhadas de sinais inflamatórios, isto é, não tem edema ,nem calor, muito menos rubor no local. Outra característica da dor do crescimento é que esta tem caráter intermitente, ou seja, por exemplo, numa semana dói praticamente todos os dias e na semana seguinte simplesmente não dói. Outro fato curioso que tenho observado é que a criança queixa-se do dores fortíssimas numa noite e na manhã seguinte as mesmas simplesmente desapareceram. asdEmbora muitas vezes estas dores comportem-se desta maneira, seu local e freqüência podem ser diversos e caberá ao médico diferenciá-las de outras causas de dores.
asdA causa exata da dor ainda é desconhecido. Porém no meu entendimento ocorrem simplesmente pelo seguinte: o que cresce no membro são os ossos; os vasos sangüíneos, nervos, músculos e tendões que estão ao redor do osso, são "esticados" por este osso que está crescendo, e isto causa a dor.
O diagnóstico
asdO diagnóstico é eminentemente clínico, e não há exames subsidiários que o confirmem.asdO mais importante é que deve sempre ser um diagnóstico de exclusão, isto é devem ser afastados todas as outras causas de dor nas pernas, para que possamos concluir que trata-se "apenas" de dores do crescimento.
O tratamento
O tratamento inclui medidas paliativas que aliviem a dor e o sofrimento destas crianças e acompanhamento médico para que qualquer alteração do quadro possa ser detectado precocemente.

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